Proteção contra incêndio em ambientes frigorificados

Ambientes refrigerados e câmaras frias apresentam desafios únicos para a segurança contra incêndio. Temperaturas extremas, alta movimentação de ar e condensação tornam detectores convencionais ineficazes.

Este artigo analisa como a tecnologia de detecção por aspiração VESDA supera essas barreiras, garantindo a continuidade do negócio e a proteção de ativos valiosos.

 

1. O desafio das câmaras frias para projetos de segurança contra incêndio

Câmaras frias são ambientes de alto risco, muitas vezes negligenciados. A presença de isolamento térmico combustível (como poliestireno ou poliuretano), embalagens de papelão, paletes de madeira e sistemas elétricos complexos cria um cenário propício para incêndios de propagação rápida.

Os principais obstáculos para sistemas tradicionais incluem:

  • Falha de dispositivos: detectores pontuais sofrem danos eletrônicos e mecânicos em temperaturas abaixo de zero.
  • Efeito de estratificação: o ar frio e denso pode impedir que a fumaça “suba” até o teto, onde detectores comuns costumam ficar, retardando o alerta.
  • Gelo e condensação: a umidade congela nos sensores, causando alarmes falsos ou inibindo a detecção real.

 

2. Como funciona a tecnologia VESDA

O sistema VESDA (Very Early Smoke Detection Apparatus) opera aspirando o ar continuamente através de uma rede de tubos distribuída estrategicamente.

  • Unidade Central Externa: o detector propriamente dito fica instalado em um ambiente com temperatura controlada, enquanto apenas a rede de tubos (passiva) entra na área fria.

Figura 1: Exemplo de amostragem de ar em rack.

  • Detecção a Laser: amostras de ar passam por um filtro duplo e uma câmara de detecção a laser capaz de identificar partículas microscópicas de fumaça antes mesmo de serem visíveis ao olho humano.

 

3. Melhores práticas de instalação e design

Para garantir a eficiência máxima, projetos em ambientes refrigerados devem seguir diretrizes técnicas rigorosas, como o VESDA Refrigerated Storage Design Guide:

1. Gerenciamento de Condensação: o uso de armadilhas de água (water traps) é obrigatório para coletar a umidade antes que ela chegue ao detector.

Figura 2: Exemplo de um sifão de água.

 

2. Arranjos de Amostragem: os pontos de coleta podem ser instalados no teto ou diretamente nas estantes (in-rack), combatendo o efeito de estratificação do ar.

Figura 3: Tubos de amostragem VESDA montados no teto

Figura 4: Exemplo de amostragem de ar por capilaridade

3. Aquecimento da Amostra: em casos extremos, a amostra de ar deve ser levemente aquecida antes de entrar no detector para evitar choque térmico.

Figura 5: Exemplo de rastreamento térmico com fita de aquecimento

 

3. Conformidade e normas técnicas para segurança contra incêndio

No Brasil, a implementação desses sistemas deve estar alinhada com a ABNT NBR 17240, que regula o projeto, instalação e comissionamento de sistemas de detecção e alarme de incêndio. Além disso, a NR 36 estabelece requisitos de segurança específicos para ambientes de abate e processamento de carnes.

Considerações finais sobre a segurança contra incêndio  em câmaras frias

A adoção da tecnologia de aspiração VESDA em ambientes refrigerados não é apenas uma escolha técnica, mas uma estratégia de resiliência operacional. Ao detectar o fogo em seu estágio incipiente, o sistema previne perdas catastróficas de estoque e danos estruturais que poderiam paralisar a cadeia logística por meses.

Para mais informações sobre a tecnologia de aspiração VESDA, entre em contato com a CAMfire.